Presente, passado, futuro: a educação metodista (s)em perspectiva

Educacion III Teodoro

Esta manifestación fue presentada a las autoridades eclesiásticas y educativas de la Iglesia Metodista en Brasil a causa de una serie de actitudes administrativas que ignoran la historia y tradiciones de las instituciones metodistas de educación y propugnan por una aproximación mercantilizada a su trabajo e desarrollo. En esta aproximación, la educación deja de ser derecho de todas las personas y pasa a ser una mercancía a ser vendida a quien pueda pagar por ella. La manifestación es una protesta contra este punto de vista considerado una traición a la misión de la Iglesia. La Asociación de Granberyenses es una entidad sin fines de lucro que congrega exalumnos, profesores y funcionarios del Instituto Granbery de la Iglesia Metodista, una institución tradicional con aproximadamente 130 años de existencia en la ciudad de Juiz de Fora, Minas Gerais.

Imagine que você está em um avião, à noite, em um céu tempestuoso, riscado de relâmpagos que parece vão despedaçar a aeronave. Esta vai sendo jogada de um lado para o outro e o piloto parece não saber bem o que fazer. Você é um dos apavorados passageiros e procura ver o que está acontecendo na cabine de comando. Quase desmaia quando vê que o comandante está aparentemente tranquilo, alheio ao que ocorre com o avião, enquanto folheia um periódico de artigos religiosos ou lê uma revista de finanças e negócios, sem ao menos segurar os aparelhos que controlam o voo! Você cria coragem e pergunta: “Comandante, o que vai acontecer?” E ouve a estonteante resposta do risonho e confiante piloto: “Não sei, nunca me disseram bem para o que servem estas alavancas, estes botões, estes mostradores que existem nesta cabina! Mas confio em Deus que haveremos de chegar ao destino!”

Você corre para o meio dos passageiros! Os olhos de um grande grupo deles estão tão esbugalhados como os seus. Essas pessoas estão presas a seus cintos de segurança, e numa enorme ansiedade! Outros passageiros, porém, estão brincando com os seus aparelhinhos eletrônicos. Ainda outros estão dormindo, sem perceber o risco que todo mundo está correndo, acreditando que o piloto sabe o que faz. E o avião segue sem perceber o imenso pico da montanha em cuja direção ele vai…

Faz três ou quatro anos, um dos atuais líderes da Igreja Metodista, advertido acerca de equívocos graves que estaria cometendo em suas atitudes para com as instituições de educação, respondeu à advertência: “vocês, que conhecem a história da Igreja, é que precisam explicar para a gente o lugar das escolas na denominação”. É como se o comandante do tal avião desgovernado em meio à tempestade, dissesse ao passageiro que entrara assustado na cabina: “Vocês é que precisam me dizer como se faz para pilotar o avião!” Como foi que este indivíduo conseguiu a autorização para voar? Como foi que uma pessoa chegou a ser líder de destaque na Igreja Metodista, desconhecendo toda a história da denominação no campo da educação? Dá para entender?

De fato, não dá para entender isto em todos os detalhes, mas é possível levantar algumas tentativas de explicação, muito necessárias nestes tempos em que o metodismo brasileiro atravessa tempestades tão graves como a do avião perdido na noite! São momentos em que escolas estão a pique de serem fechadas, em que pipocam greves para lá e para cá, em que professores são sumariamente demitidos, em que líderes são “solicitados” a renunciar a seus cargos, em que cursos são fechados porque não seduzem um maior número de alunos pagantes, em que uma herança educacional identificada com os valores mais sagrados da educação – muitos deles fundados em valores evangélicos e na história wesleyana – são jogados às traças. Esses valores foram trocados por uma “filosofia” neoliberal, em que a educação deixa de ser uma força formadora da personalidade e é substituída por uma “mercadoria” a ser negociada e vendida aos que por ela podem pagar. Na cabina do piloto uma entidade impessoal, uma rede que só vê o imediato, vai apertando os botões a esmo, puxando o manche para lá e para cá, acreditando que enxerga para além da tempestade. Ela fecha seus olhos para um passado construído na história de um metodismo mais que bi-centenário, após haver praticamente desmantelado um Conselho Geral de Instituições Metodistas de Ensino de cujo nome – COGEIME – se aproveita apenas como marca comercial, e joga no lixo as Diretrizes para a Educação na Igreja Metodista aprovadas pelo próprio Concílio Geral desta! Ela administra este assunto sem perceber que as instituições metodistas brasileiras não podem ignorar as mais de mil outras escolas, faculdades, universidades do metodismo ligadas à ALAIME e à IAMSCU e que o que lhes acontece tem repercussão continental e global! Sem atentar para a história das instituições, ela trata de “pasteurizá-las” sem respeitar, em nome de uma pretensa economia de recursos, a identidade e a cultura de cada uma delas!

É o caso de se perguntar: será que ela desconhece mesmo o panorama ou tem outros projetos maléficos, mal intencionados, jogados com cartas marcadas e viciadas? Será que aquela velha estratégia do quanto pior tanto melhor não está por trás de tudo isto?

Em uma situação como esta os líderes das instituições não precisam mais ser educadores: basta que sejam tecnocratas capazes de vender algo aparentemente bom por um preço reduzido, definido pelos interesses mercadológicos, em que professores sejam contratados pelos salários mais reduzidos e os preços das anuidades sejam os mais altos e competitivos possíveis. Porque – sem esconder a ironia! – de fato, é preciso levar a sério as grandes empresas que hoje atuam no campo da educação e que acabariam engolindo as instituições metodistas.

Mas, amigos, e os pobres passageiros que se acomodam nas poltronas do avião, despercebidos do que está ocorrendo e do que vai acontecer? Como foi que eles entraram nessa situação?

Explica-se: não disseram a eles e elas, quando foram recebidos como membros da Igreja Metodista, que essa Igreja (e algumas outras na mesma linha) tinha um caráter próprio, que para ela a educação faz parte de sua missão, que educação não é isca para a evangelização… Disseram-lhes apenas que para ser metodista basta cantar louvores no culto, contribuir financeiramente, bater palmas, dizer “Amém” em voz alta, que está tudo bem! O Senhor está por cima! Ele dirige a sua Igreja. Era importante fazer inchar a Igreja, para que ela concorresse com as outras denominações e não ficasse parecendo “atrasada” em relação às demais…

Aliás, foram esses mesmos “novos metodistas” que acabaram elegendo alguns dos novos “comandantes”, agora assentados na cabina de comando e estão lá, perdidos, olhando todos aqueles botões, alavancas, mostradores, e vão lendo as revistas de artigos religiosos e fazendo orações interiores – especialmente ao Deus mercado – sem a coragem de confessar que nada entendem da tarefa pela qual pretendem ser os responsáveis!

Mas olhem lá, olhem bem! Depois daquela nuvem escura, após aquela área onde os relâmpagos e raios se cruzam ferozmente, logo ali, está o pico da montanha! E o avião avança, planando, nas mãos de uma entidade fantasma que pensa segurar os controles do leme…

Haverá algum futuro para a educação em uma Igreja Metodista que perdeu (quase) totalmente sua visão do passado e sua perspectiva para o amanhã? E o educador João Wesley? Ora, João Wesley! Parece para esta gente que ele precisa ser esquecido!

Será que não é absolutamente urgente, indispensável, que os metodistas provoquem um congresso denominacional acerca de sua visão da educação e a tarefa que lhes está confiada como parte de sua missão cristã? Afinal, nossa preocupação precisa estar afinada com o movimento profético, que se caracterizou pela defesa do direito das pessoas à margem da sociedade, aquelas que não podem pagar por uma educação comprometida com os interesses do mercado!  (PE)

Este documento foi elaborado coletivamente por participantes do Encontro da Associação dos Granberyenses – Setor Sudeste Paulista. Piracicaba, agosto de 2017

Imagen Teodoro Núñez Ureta, pintor peruano, 1912-1988

SN 284/17

 

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