A degradação da terra afeta 75% dos ecossistemas terrestres – o WWF publica seu relatório anual.

 

Planeta vivoPor Sergio Ferrari,

da Suíça

A terra está caminhando para ter um ‘colapso’. A natureza agoniza. O índice planetário de água doce registra uma proporção de 83% em relação a 1970. No mesmo período, 60% das espécies de vertebrados desapareceram, especialmente nos trópicos e, em particular, na América do Sul e Central, com 89% de perdas. O reino animal vive o pior momento de toda a sua existência.

Estas são algumas das conclusões do Relatório Planeta Vivo. 2018 Apontando mais para o alto, publicado esta última semana de outubro pelo WWF (World Wide Fund for Nature), ONG ambientalista com mais de 5 milhões de associados e uma rede global ativa presente em uma centena de países.

Situação crítica, mudanças drásticas

Este documento, elaborado com o apoio do Instituto de Zoologia da Sociedade Zoológica de Londres, não se limita a apenas apresentar uma radiografia planetária de mais de 140 páginas, mas avança propostas.

Ela exige a definição de um “novo acordo global entre a natureza e as pessoas… que aborda questões cruciais sobre como alimentar a crescente população mundial, limitar o aquecimento a 1,5° e restaurar a natureza”, tomando como marco os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, bem como o Acordo de Paris e a Convenção sobre Diversidade Biológica, que devem ser avaliados e revisados nos próximos anos.

Além disso, a organização ambientalista, juntamente com um consórcio de quase 40 universidades e organizações conservacionistas e intergovernamentais, planeja lançar uma iniciativa de pesquisa intitulada Reverter a Curva da Perda da Biodiversidade. Esta análise crítica, explica o WWF, “incluirá a biodiversidade na modelação de sistemas futuros, ajudando-nos a determinar as melhores soluções integrais e coletivas e a compreender o impacto que teremos que aceitar para encontrar o melhor caminho a seguir”.

Para o WWF, “poucas pessoas têm a oportunidade de fazer parte de verdadeiras transformações históricas. Esta é a nossa. Temos diante de nós uma janela de ação que se fecha rapidamente e uma oportunidade inigualável para entrar no ano de 2020.”

E destaca o grande dilema ainda não resolvido: “Podemos ser os fundadores de um movimento global que mude nossa relação com o planeta” – que garanta um futuro para toda a vida na Terra – ou “podemos ser a geração que teve sua oportunidade, permaneceu com os braços cruzados e deixou a Terra desaparecer.”

O documento, divulgado na terça-feira, 30 de outubro, introduz um importante esclarecimento conceitual: “a agenda de conservação da natureza não tem apenas a ver com o futuro dos tigres, pandas, baleias e toda a extraordinária diversidade da vida…”

É muito mais que isso, enfatiza. Ele explica que “não haverá um futuro saudável, feliz e próspero para as pessoas que habitam o planeta, se o clima for desestabilizado, se se esgotam os oceanos e rios, se os solos forem degradados e se acabarem as florestas, todos despojados de sua biodiversidade, a rede de vida que nos sustenta a todos”. Um novo pacto entre homem e natureza significa “fazer a transição para uma sociedade que neutralize as emissões de carbono, freie e anule a perda da natureza”.

Produção globalizada, consumo desenfreado

A crítica ao atual sistema de produção globalizado não é um elemento secundário no Relatório Planeta Vivo.

Toda atividade econômica depende, em última análise, dos serviços prestados pela natureza, estimados em um valor próximo a US$ 125 bilhões anuais. Um relatório regional para a América calcula o valor econômico dos benefícios terrestres da natureza em mais de US$ 24 bilhões anuais, equivalente ao PIB da região.

“O consumo humano desenfreado é o motor por trás das mudanças planetárias sem precedentes que estamos presenciando, devido à maior demanda por energia, terra e água.”

E cabe ao Relatório alertar que “apenas um quarto da superfície da Terra está substancialmente livre do impacto de atividades antrópicas. Se a atual tendência produtivista e consumista continuar, essa porcentagem diminuirá e apenas uma décima parte do planeta estará livre do impacto do homem em 2050.”

Um exemplo ilustrativo é a realidade dos ecossistemas marinhos e de água doce. Desde 1950, diz a ONG ambientalista, “quase 6 bilhões de toneladas de peixes e invertebrados foram retirados dos oceanos do mundo”. Ao mesmo tempo, foi detectada contaminação por plásticos em todos os principais ambientes marinhos do mundo.

Vivemos hoje, diz o WWF, “a Grande Aceleração – um evento único nos 4,5 bilhões de anos da história do nosso planeta – com a explosão da população humana e o crescimento econômico impulsionando mudanças planetárias sem precedentes em termos do aumento de demanda por energia, terra e água”.

O fenômeno é tão forte, “que muitos cientistas acreditam estarmos entrando em uma nova época geológica, o Antropoceno. Mas os benefícios para a humanidade da Grande Aceleração foram possíveis graças à natureza. Sem sistemas naturais saudáveis, devemos nos perguntar se até mesmo será possível o desenvolvimento humano futuro”, pergunta-se o Relatório. + (PE)

Resumo

AMEAÇAS E PRESSÕES

Relatório Planeta Vivo, identifica uma série de fatores determinantes na acelerada degradação da Terra.

A superexploração e a atividade agrícola, impulsionadas por nosso consumo excessivo, continuam a ser as causas predominantes da perda atual de espécies.

A degradação do solo afeta severamente 75 por cento dos ecossistemas terrestres, reduzindo o bem-estar de mais de 3 bilhões de pessoas, com imensos custos econômicos.

As abelhas, outros polinizadores e nossos solos – críticos para a segurança alimentar global – estão sob crescente ameaça.

A pesca excessiva e a poluição por plásticos estão ameaçando nossos oceanos, enquanto a contaminação, a fragmentação e a destruição do habitat resultaram em declínios catastróficos da biodiversidade de água doce. + (PE)

Version portuguesa del despacho de Ecupres SN 400/18 del 181031

 Traducción Prof. Sérgio Marcus Pinto Lopes Tradutor e Intérprete  Skype: sergio.marcus1   

SN 405/18

 

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