Mensagem no mês de maio do

Por Américo Jara Reyes,

Bispo da Igreja Metodista da Argentina

Rosario, Argentina

“Ai daquele que edifica a sua casa com a injustiça e seus aposentos sem o direito; que se serve do serviço do seu próximo sem paga e não lhe dá o salário do seu trabalho!” Jeremias 22:13

Este 1º dia de maio encontra o povo e os trabalhadores sofrendo de um estado de situação alarmante e de grande angústia. A radiografia da pobreza, tornada visível pelo relatório do Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina, revela um estado de coisas terrível e doloroso. Afirma o Observatório que, enquanto se mantiver o atual cenário recessivo, só podemos esperar um aumento do desemprego, o trabalho de subsistência e a precariedade no trabalho e, portanto, das desigualdades estruturais que afetam o mercado de trabalho com efeitos diretos sobre a pobreza.

Que relação tem a pobreza estrutural – os milhares de lares que no dia a não conseguem cobrir a cesta básica – com a vontade de Deus? Acaso estamos sofrendo o castigo divino, por seguirmos caminhos erráticos, e que, como povo, estão nos afastando da bênção do Altíssimo?

É sempre iluminador voltar à nossa própria história, para encontrar lá alguns ensinamentos que nos permitam novos olhares, dimensionar a razão do mal em que nos encontramos e nos livrem de achar que tudo nos acontece por falta de vontade ou desejo de trabalhar por parte de muitos e muitos. E nos livrem de entender esses sofrimentos como desígnios ou castigos de Deus.

Nesse sentido, nos parecem muito claras as palavras de John Wesley, iniciador do movimento metodista, confrontado com a crise generalizada a Inglaterra de 1770. Wesley vai se perguntar: “por que milhares de pessoas estão com fome, morrendo de necessidade em cada lugar da Nação”…”o que vi com meus próprios olhos, em todos os cantos do país?”  E continua em suas perguntas: “Por que isso é assim?… Por que todas essas pessoas não têm nada para comer?”. E vai responder dizendo: “A razão simples porque não têm comida é porque elas não trabalham”. Mas acrescenta: “Mas por que eles não têm trabalho? Porque as pessoas que costumavam empregá-las já não têm os meios para isso. Muitos que anteriormente empregavam cinquenta, agora mal empregam dez; aqueles que empregavam vinte, agora empregam uma ou nenhuma. Eles não podem fazer isso porque não têm saída para seus produtos”. Descrição simples e profunda de uma época e das consequências da chamada Revolução Industrial, pondo seu olhar sobre as causas e evitando culpabilizar as vítimas.

A pobreza era resultado dos monopólios de sua época: “Pela monopolização das fazendas, talvez o mais perigoso monopólio de todos os tempos introduzido nestes reinos”. Wesley também descobre que “a terra que há alguns anos estava dividida entre dez ou vinte pequenos agricultores e que lhes permitia proporcionar conforto para suas famílias, agora é monopolizada por um único e importante fazendeiro. Apenas um homem cultiva uma fazenda de duzentos hectares por ano que anteriormente mantinha dez ou vinte”. No mês do Metodismo, qual é o significado do nosso “coração ardente “ante o aprofundamento da desigualdade social nestes tempos?

Quero afirmar que perante a intensidade do sofrimento humano por sobrevivência, perante as lutas por dignidade e resistência ao poder imperial, a graça de Deus nos é mostrada poderosa frente à fraqueza, capacitando-nos para novas formas de ação, de mulheres e homens, deste tempo a favor de uma nova criação.

Resgato nesse sentido as palavras cheias de esperança e resistência de Samuel Fielden, pastor metodista e um daqueles que seriam mártires de Chicago antes de ser condenado em 1886: “Eu creio que chegará um tempo em que sobre as ruínas da corrupção se levantará a esplêndida manhã do mundo emancipado, livre de todas as maldades, de todos os monstruosos anacronismos do nossa época e de nossas caducas instituições”.

Temos que nos questionar hoje: que caminhos de resistência podemos exercer ante a tremenda exclusão que padece nosso povo? Será viável um novo paradigma de uma economia solidária, que garanta a vida e a permanência de nossa casa comum?

Afirmamos como Igreja Metodista Evangélica na Argentina que… “não podemos nos limitar a atos de beneficência, e ainda menos sancionar com nossa bênção aquelas formas de suposta caridade que degradam a personalidade humana, nem nos contentarmos com melhorias que não conduzem ao propósito de Deus em relação ao destino humano. Manter silêncio frente à necessidade, à injustiça e à exploração do homem é trair a Cristo”.  Sem pão e sem trabalho a vida não é possível. Estamos diante de uma crise da própria humanidade. A pobreza, a injustiça e a desigualdade acabam sendo um problema de todos os seres humanos. Nós não podemos nos esconder, dissimular ou escapar de uma realidade terrível, temível e dura.

Como o afirma o teólogo José María Mardones: “Temos que olhar para todo o nosso mundo para entender o que se passa e que se passa conosco”. Que o mesmo Espírito do Ressuscitado nos acompanhe, ficando “permitido que o pão de cada dia tenha (na mulher) e no homem o sinal de seu suor. Que acima de tudo, tenha sempre o cálido sabor da ternura.” (Thiago de Mello).

Com um abraço fraternal e sororal,

Pastor Américo Jara Reyes

Bispo (PE)


(Traducido de https://ecupres.com/2019/05/09/por-designio-de-dios-o-por-holgazaneria/)

Traducción Sérgio Marcus Pinto Lopes

Tradutor e Intérprete

SN 279/19 

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